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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Resenha Zon, de Andrei Simões




Fazia tempo que queria ler um livro diferente do estilo que estava lendo ultimamente. Logo na primeira página percebi que Zon era um estilo diverso, uma mistura de gêneros: fantasia, terror, thriller psicológico e muito mais. Filosofia, psicologia, religiões e assuntos com essa temática.
A obra conta a história de um homem de meia idade, Zon, que vive uma vida mediana e certo dia se depara com seu reflexo do espelho falando com ele (!). Nesse dia ele descobre que é nada menos do que um personagem de um livro cujo autor escreve sua vida. Zon descobre, pois, que pode percorrer as mentes de quem lê sua história. A partir de então ele vaga de mente em mente como um parasita e faz descobertas tanto da existência quanto da humanidade, quanto dele próprio.

“É muito cansativo ver teu brilho branco em meus olhos de autor enquanto quero preenchê-la, folha em branco.”

Trata-se de um livro de contos com diversos focos narrativos que instiga o leitor a entender as entrelinhas da história. Os contos, em sua grande parte, estão interligados e possui uma carga muito grande de pensamentos filosóficos e assuntos do gênero, o que dá o tom denso da escrita de Andrei.
A mensagem que esse livro passa é bem forte, pois há uma discussão implícita (ou explícita, dependendo do ponto de vista) sobre questões existenciais. Confesso que foi uma leitura demorada, porque tentava ver um sentido em toda a trajetória do nosso não herói. Trajetória essa que é cheia de fantasia e sinuosa. Acredito que isso aconteceu por causa do tema complexo e da inverossimilhança do texto.
Zon me parece uma história original, com várias metáforas (ou uma grande metáfora, paradoxo, simbolismos, etc.) que nos dá diversas situações para refletir sobre a vida. De onde viemos; para onde vamos; por que existimos, etc.

“... Zon preferiu manter seus olhos no esquecimento, já que é sempre mais fácil olhar para o esquecimento do que para o próprio tempo que o gerou.”

Andrei apresenta um livro bem escrito, com uma maturidade textual visível. Durante a narrativa fica bem claro o estilo singular do autor, tanto da escrita, quanto do gênero. Quem leu a entrevista com o Andrei Simões alguns meses atrás aqui no blog irá se lembrar que ele disse que não tinha um estilo definido quanto ao gênero. Sim, não tem mesmo. 
Pois bem, quanto às ilustrações de Lupe Vasconcelos acho que ela conseguiu captar perfeitamente o tom da obra e fez ilustrações que condizem com a atmosfera da história. Tem ilustrações lindíssimas, outras, não gostei tanto. Todas, contudo, são de grande qualidade e esmero.


Quanto à revisão, diagramação, etc., achei ótima! Não há erros de português, palavras fora do lugar ou faltando, todos os sinais de pontuação estão lá, e no lugar exato! Eu sei que parece bobagem, mas eu amei que havia um índice! Hoje em dia, mesmo com livros que tenham títulos a cada capítulo não há índice o que me deixa bem triste às vezes.
A editora Empíreo, Andrei, Lupe e todos os envolvidos estão de parabéns porque é notório que foi um livro feito com toda dedicação. Gostaria de agradecer imensamente ao Filipe Larêdo e a editora por terem me fornecido esta obra para resenha.

“Anulamos a existência dos outros por nunca estarmos em órbita com a nossa própria.”
 


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Resenha A Ilha dos Dissidentes



Confiram resenha do livro da escritora Bárbara Morais, A Ilha dos Dissidentes, no blog Resenhas de Livros.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Resenha Espero Alguém



Confiram resenha do livro de crônicas do Fabrício Carpinejar, Espero Alguém, no blog Resenha de Livros.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Resenha: Branca dos Mortos e os Sete Zumbis




Era uma vez… o terror!
Sim! Eu li o livro que trás uma séria de contos de fada em forma de contos de horror, ou seria contos de horror em forma de contos de fada?
O livro Branca dos Mortos e os sete Zumbis, escrito por Fábio Yabu, é uma compilação de contos de fada em sua forma mais macabra. Estão todos lá: Branca de Neve, Cinderela, Rapunzel, João e Maria… todos de botar medo, ou nojo!
Confesso que terror não é um gênero literário que me chama atenção. Eu detesto filmes de terror, então não era livro que eu ia ler. Porém quando descobri que o autor era brasileiro comprei na hora! Tudo para manter minha promessa de ler mais livros de escritores nacionais.
Os contos são excelentes. Nunca li nenhum outro livro desse gênero, então não tenho com o que comparar, mas eu diria que dá para ficar, no mínimo impressionado (porque em algumas partes eu fiquei). É ridículo eu sei, mas confesso que depois que terminei de ler o conto da Rapunzel fiquei me perguntando se aquilo era verdade. E desconfio que a troca de narração da 3º para a 1º pessoa foi um fator chave para a ênfase da história.
O que mais gostei foi da nova roupagem que o autor deu a algumas histórias. O conto da Branca dos Mortos eu gostei bastante, porém o do Pinóquio ganhou meu coração. No conto do Pinóquio o escritor conseguiu contextualizar perfeitamente a história do boneco de madeira e seu honesto pai. E ele fez isso com outras histórias e ficou bárbaro (vide O Fim de Quase Todas as Coisas e O Cemitério).
Ah, e eu sei que o livro é macabro, mas a história do patinho feio é muito fofa!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Resenha: Simplesmente Ana





Eu adoro histórias de contos de fadas e já li muitos livros ruins sobre o assunto ou sobre príncipes e princesas. Quando descobri Simplesmente Ana, queria, porque queria lê-lo e essa semana o fiz! Passei um dia inteirinho mergulhada nesse mundo encantado criado por Marina Carvalho!


Simplesmente Ana conta a história de uma garota de 20 anos que mora em Belo Horizonte com a mãe e um belo dia descobre que seu pai é um Rei, o Rei da Krósvia. Ele a leva para o pequeno país do tamanho do Rio Grade de Sul – aí, que orgulho ver meu estado citado no livro! – fincado na Europa e lá ela conhece sua origem e faz muitos amigos. Ana conhece também o enteado de seu pai o bonitão Alexander – é lindo até no nome gente!

A narrativa é trata-se de um verdadeiro conto de fadas moderno! Foi maravilhoso descobrir esse mundo junto com a protagonista. 

O pai de Ana, Andrej, é um homem maravilhoso. Honesto, sensato, bondoso, firme e mandão quando tem que ser. A mãe dela é uma fofa também, teve uma parte do livro em que me lembrei da minha, acho que todo mundo já recorreu a mãe quando se faz bobagens e claro que recebeu todo carinho materno.

Bom, o outro personagem é o Alexander! Que homem é esse! Bonito, rico, inteligente e, o principal, íntegro. Eu acho demais quando aparecem personagens na literatura que fazem as coisas da forma certa. Já a Ana, confesso que do meio para o final me deu vontade de dar uns tapas nela. Por que as protagonistas tem que ser tão irritantes? Hehe! No mais ela é uma garota normal, não sei se dá para dizer que ela é forte, decidida, ou esperta, porque não achei nada disso. Pareceu-me uma garota saída da adolescência que esta dividida entre um Reinado e uma vida pacata no Brasil. Mas com certeza ela não é deslumbrada, Ana mostrou ter “pé no chão” na maioria dos momentos na narrativa.


Impressionei-me com a quantidade de menções a artistas, programas, músicas, bandas, penso que não precisaria de tanto. Teve outros momentos, do meio para o final, que achei artificial, por exemplo, a Ana estava em um determinado lugar com seus devaneios ou distraída e o Alexander aparecia, do nada! Claro que a explicação para ele estar ali era articulada e fazia todo o sentido e não acho que atrapalhou o desenrolar da história. Esse é um daqueles casos que temos que usar as licenças literárias!

Bom, no geral eu adorei o livro, não me arrependi de tê-lo comprado e estou louca para ler a continuação!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Resenha: Paralelos, de Leonardo Alkmim

Ler livro de autor brasileiro é outra coisa.

Paralelos, Editora Geração, conta a história de irmãos gêmeos que sofrem um grave acidente rodoviário, Alexandre morre e Vitor milagrosamente se salva. Ao morrer Alexandre descobre que ele deveria estar vivo e seu irmão morto, um erro que coloca todo o universo em perigo. A partir de então se desenrola uma corrida contra o tempo (ou não, quem leu o livro vai entender!).

Confesso que sou muito rigorosa quanto à narração de livros. Penso que se é para ser narração em terceira pessoa ela deve ser completa, ou seja, o narrador tem que contar vários ângulos da história, descrever pensamentos e principalmente focar em vários personagens. Penso que um ponto de vista durante todo o livro é característico de personagem-narrador, ou seja, narração em primeira pessoa. Paralelos é um livro o qual o narrador usa toda sua onisciência: conta a história de vários ângulos, foca em vários personagens e conta diversas histórias. 

O livro é divido em três partes e essas três partes são muito bem marcadas. E o autor, Leonardo Alckmin, usa da narração para diferenciar essas etapas. Para montar o “mundo” de Paralelos, Leonardo optou por abordar um assunto complexo e que, para muitas pessoas pode ser chato ou incompreensível. Criou um mundo pós-morte abordando física, química, religiões e filosofia de uma maneira fantástica, tudo foi muito bem amarrado de uma forma que você acaba acreditando que é assim mesmo que acontece. A segunda parte do livro se concentra mais nessas explicações quebrando vários paradigmas. 

A minha expectativa geral da história era por uma batalha entre céu e inferno, bem e mal, que Alexandre ia ressuscitar ou algo do tipo, mas não. Nada disso aconteceu, caiu no relativismo, não que isso foi ruim. Devido ao assunto complexo depois de algumas páginas a história ficou chata e arrastada. Eram tantas leis de física que lá pelo meio do livro fiquei me perguntando se o autor era físico ou algo do tipo, pois havia uns detalhes que, bom, eu jamais entenderia. O escritor soube usou de maneira brilhante assunto de religiões e filosofia. Dá para tirar umas lições muito boas. Leva-nos a refletir, não é só aquela tietagem de histórias que não dizem nada, mas como tem um forte apelo comercial fazem sucesso.

Porém teve uma parte que eu lamentei muito. Os capítulos destinados ao personagem principal, Alexandre, são todos em primeira pessoa, fazendo um parêntese, achei muito importante, pois destoou de uma forma positiva dos outros personagens, além de dar um foco especial ao personagem principal do livro em meio a tantas histórias. Na última parte a narrativa dele continua, mas não mais em primeira pessoa e isso me deixou bem chateada. Ao longo da leitura eu entendi porque, só que, as partes mais legais do livro eram quando Alexandre contava sua versão. Ele é um personagem querido, espirituoso, consegue fazer piada da sua própria desgraça, é um adolescente de 17 anos que ama seu irmão e fez e faria de tudo para salvá-lo. Senti falta da narração do Alexandre no final.

Falando em final, assim como a primeira parte foi uma introdução para a história, à segunda parte foi mais como um desenvolvimento explicativo para o final do livro. Achei o fim razoável, porém não foi isso que me chamou atenção. Nos últimos tempos tenho lido muitas sagas e, como sabemos sagas sempre deixam um gancho para um próximo livro. O final de Paralelos é final mesmo! Tinha me esquecido a sensação de ler um fim de história bem escrito, que dá rumo em todos os personagens, sem deixar arestas soltas.

E ler livro de autor brasileiro é outra coisa porque eu entendi os agradecimentos! Não que eu seja burra, mas nem tudo se consegue traduzir em um livro e isso se reflete mais nos agradecimentos. Normalmente os autores usam gírias e frases que para nós não há equivalentes, fora aqueles nomes esquisitos, não de pessoas, mas de empresas, sites, blogs e lugares que normalmente não são traduzidos.
Valeu a pena o investimento nesse livro.